Thaís Lima Orlandini (@thaislima_psi)
As intensas emoções que crianças e adultos superdotados experimentam têm o potencial de enriquecer suas vidas, à medida que se dedicam apaixonadamente a interesses cativantes e exploram a expressão criativa.
No entanto, é crucial reconhecer que um excesso de intensidade ou reatividade emocional pode resultar em sintomas ou comportamentos angustiantes. Pais de crianças superdotadas muitas vezes enfrentam desafios ao lidar com níveis exaustivos de energia, autoquestionamento, ansiedade, ansiedade social, perfeccionismo e colapsos emocionais diante de situações cotidianas.
Dupla excepcionalidade: Altas habilidades/Superdotação e TDAH
Quando se trata da dupla excepcionalidade, que envolve Altas Habilidades/Superdotação e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), é essencial considerar a teoria atualizada de uma autoridade renomada, que identifica o TDAH como um transtorno de déficit de autorregulação (BARKLEY, 2024). Uma área de destaque que converge com as características de pessoas que vivenciam tanto o TDAH quanto as altas habilidades é a autorregulação emocional.
As dificuldades nessa área incluem:
- Dificuldade em se acalmar após um episódio de perturbação emocional;
- Baixa capacidade de manter a calma e racionalidade após ser afetado por uma emoção;
- Dificuldade em desviar o foco do que está causando perturbação emocional para acalmar-se e, consequentemente, redirecionar a atenção para uma perspectiva mais positiva;
- Baixa habilidade de redirecionar emoções de forma positiva quando perturbado emocionalmente por algum motivo.
Presenciar essa intensidade emocional pode ser uma fonte de preocupação e desgaste para os pais, os quais frequentemente se sentem angustiados ao verem seus filhos sobrecarregados por essas emoções intensas e, por vezes, desreguladas.
Dessa forma, torna-se essencial realizar uma avaliação abrangente dos principais domínios do funcionamento executivo na vida cotidiana, com o objetivo de direcionar o tratamento de maneira eficaz e colaborar para o desenvolvimento de estratégias que promovam um gerenciamento emocional mais saudável.
Referências
BARKLEY, R. A. Tratando TDAH em crianças e adolescentes: o que todo clínico deve saber. Porto Alegre: Artmed, 2024.
POST, G. The Gifted Parenting Journey: A Guide to Self-Discovery and Support for Families of Gifted Children. Goshen, Kentucky, USA: Gifted Unlimited, 2022.