Por Damião Silva
Quando falamos de altas habilidades/superdotação, é essencial reconhecermos que há uma predisposição inata, mas é importante frisar que o ambiente e a cultura desempenham um papel crucial no florescimento desse potencial. Eu, enquanto neuropsicólogo, acredito que a inteligência/ superdotação intelectual é uma característica inata que requer condições adequadas para se desenvolver plenamente. Sem estímulo, suporte e oportunidades, mesmo os maiores potenciais podem permanecer adormecidos ou se perderem no meio do caminho.
O Conceito de Altas Habilidades/Superdotação
Linda Silverman (2009), uma das maiores especialistas na área, descreve as altas habilidades como um estado intrínseco, frequentemente associado a uma maneira única de perceber o mundo. Segundo a autora, as pessoas com superdotação têm necessidades específicas e intensas, entre elas as cognitivas, emocionais e sociais, diferentes de outras pessoas e quando essas singularidades não são levadas em consideração, as consequências podem refletir no estado emocional e em dificuldades de ajuste.
Pfeiffer (2019), por sua vez, apresenta o conceito de superdotação em seu modelo tripartite, que considera três perspectivas:
- Alta inteligência: Desempenho acima da média em tarefas cognitivas complexas.
- Realizações excepcionais: Conquistas em domínios culturalmente valorizados.
- Potencial para excelência: A capacidade inata que, com estímulo e suporte, pode resultar em contribuições extraordinárias.
Os teóricos reforçam que o ambiente e as variáveis psicossociais — como resiliência, motivação e apoio familiar — desempenham papéis decisivos no desenvolvimento e florescimento desse potencial.
O Papel do Ambiente no Desenvolvimento
Embora o potencial esteja presente desde cedo, ele não se manifesta automaticamente. O ambiente tem o poder de catalisar e de transformar predisposição em realidade. Isso inclui acesso a programas educacionais personalizados, suporte emocional, aprofundamento nos temas de interesses. Esses traços são moldados por experiências e oportunidades que motivam e estimulam o indivíduo.
Desenvolvimento Socioemocional: Um Pilar Essencial
Pessoas com altas habilidades/superdotação frequentemente apresentam intensidades emocionais, empatia elevada e questionamentos profundos sobre o mundo. Silverman (2009) ressalta que quando não há validação dessas intensidades, a consequência tende a ser o isolamento social, sobrecarga emocional ou a frustração intensa.
Pfeiffer (2019) reforça que o desenvolvimento socioemocional deve caminhar lado a lado com o acadêmico. Ele enfatiza a necessidade de cultivar competências, como resiliência, tolerância à frustração e habilidades interpessoais, garantindo que essas pessoas tenham uma base sólida para lidar com os desafios da vida.
O desenvolvimento das altas habilidades/superdotação exige uma abordagem integrada, que considere o indivíduo em todas as suas dimensões: cognitiva, emocional, social e criativa. Promover um ambiente que reconheça e apoie essas necessidades é responsabilidade de todos — educadores, famílias e sociedade.
Ainda ressalto que a superdotação não é apenas uma característica individual, mas um potencial que floresce em ambientes que oferecem estímulos adequados e que garantir o desenvolvimento pleno dessas pessoas é uma oportunidade de contribuir para um mundo mais inovador, curioso, criativo e empático.